15 de out de 2015

Despedidas felizes.

Tem dias que são terríveis.

Tem dia que a gente chega e encontra o ambiente pesado, a equipe com expressão carregada observando de longe a médica que faz o que pode para reverter o irreversível. Tem dia que se ouve, tão alto, o atípico silêncio. Tem dia que se vê uma mãe receber a pior notícia possível, que se ouve o seu choro à distância. Dia em que se vê um pai de olhos marejados ao lado de uma incubadora fria acariciando o corpinho do bebê que nunca pôde estar em seu colo... e nunca estará.

Sim, tem dias que são terríveis.

Mas também tem dias...

Tem dia que a gente chega e encontra aquela pequena guerreirinha finalmente fora do ventilador mecânico. E depois, fora de qualquer suporte de oxigênio. Dia em que os exames mostram a saúde chegando, em que as imagens revelam, orgulhosas, pulmões bonitos de se ver. Dia em que as sondas de alimentação vão embora e ela pode mamar. Dia em que a ausculta soa limpa, em que a sonda de aspiração sai quase seca, dia em que você se dá conta que mais aquela pequena dose rotineira de sofrimento também está ficando para trás. Dia em que você canta para ela, e ela olha nos seus olhos. Dia em que a pequenina pode sair daquela fria caixa aquecida de acrílico e ganhar um colinho aconchegante, como qualquer bebê. Dia em que a mãe traz a roupinha do enxoval, guardada há longos dias de espera. Dia em que ela é vestida como uma boneca e lhe colocam um laço tão grande e tão bonito... Dia de sorrisos, de esperança. Dia de dever cumprido.

O dia da alta.

O melhor dia.

Pequenina, tão especial... Que posso dizer? Nesse curto período, você me marcou com sua vidinha e com sua bravura. Papai do Céu preservou sua vida, e tudo o que eu espero é que ela seja linda daqui para a frente. Que sua mãe tenha sabedoria e amor para cuidar de você. E que você seja muito, muito feliz.

3 comentários:

  1. Pois é... esse post foi inspirado em duas situações que vivi na UTI, e que me marcaram muito.
    A primeira, muito, muito triste. Acho que nunca vou esquecer.
    E a segunda, tão feliz...
    Essa guerreirinha me marcou muito. Internações são sempre difíceis, mas ela especificamente me cativou de uma forma diferente. Essa bebê foi muito sofrida, mas também muito forte. E nem sei descrever como fiquei feliz quando ela foi para casa... não tem preço. ♥

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