28 de jul. de 2019

O caminho da terapia.

O caminho da terapia é terapia.

É terapia porque é leve. Porque é calmo, silencioso, contemplativo. Plácido.

O caminho da terapia é terapia porque tem história, tem passado. Tem casarões e palacetes. Tem referências. Tem Aurélias, Lúcias, Carolinas e Capitus espiando por entre as frestas das venezianas antigas. Tem memórias de um Rio de Janeiro anterior ao caos, memórias de vestidos pesados, mangas longas, golas altas, rendas, chapéus, sombrinhas, luvas, e, Deus do céu, como não morriam de calor?

O caminho da terapia é terapia porque por tem a escola de dança e a escola de música. Ah, porque sempre tem música calminha, piano, violino, ballet e sapatilhas. Tem conversas, risos e cheiro gostoso na cantina. Porque tem aquele ponto da rua em que se vê lá no alto da janela um pedacinho do salão com seus alunos perdidos na dança e alheios ao mundo. Tem um suspiro sonhador no peito.

O caminho da terapia é terapia porque tem fotografia. Sempre, sempre tem. Um ângulo novo, uma luz nova, um detalhe novo. Tudo sempre igual, mas sempre novo. O caminho da terapia tem alguma mágica especial.

O caminho da terapia é terapia porque tem natureza, tem mata Atlântica misturada à cidade, à história e às pedras. Meio escondida, meio esquecida, mas lá. É terapia porque quase sempre corre vento fresquinho carregando cheiro de terra molhada.

O caminho da terapia é terapia porque a vida nasce entre o concreto, e a vida tem cor.

O caminho da terapia é terapia. É poesia. E como nessa vida nada é eterno, não sei por quanto tempo será. Então escrevo este texto - para um dia me lembrar, e assim, quem sabe?, eterno então ficará.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Os comentários serão respondidos aqui mesmo, no blog.
• Comentários que eu considerar ofensivos não serão aceitos.
• Comentários de propaganda não serão aceitos.
• Caso queira falar comigo sobre algum assunto específico, deixe seu e-mail em um comentário (que não será publicado), que eu entro em contato.

Obrigada pela visita, e volte sempre!

Fernanda.